Bombeiros chilenos desenvolvem plataforma que torna mais eficiente a chegada aos incêndios.
A tecnologia é usada no Chile e em países como Argentina, Peru e Equador:
Por Alexis Ibarra O.
Apenas quarenta segundos podem se passar entre o momento em que uma pessoa liga para os bombeiros e o despacho dos voluntários e veículos ao local.
Essa proeza já é alcançada por várias companhias de bombeiros em todo o Chile que usam a VIPER, uma plataforma tecnológica criada por dois empreendedores chilenos (um bombeiro na ativa e outro já aposentado) que, a partir da própria experiência, quiseram melhorar a gestão interna e os tempos de resposta quando uma emergência acontece.
“Há dez anos começamos com um software que facilitava a notificação dos voluntários quando ocorria uma emergência. Antigamente, eles precisavam estar ligados a um rádio, ouvir uma sirene ou receber uma ligação para atender. Nosso software, por outro lado, os notificava no celular com as informações da ocorrência. Por isso o chamamos de VIPER, porque cumpria a função de um beeper”, diz Camilo Salazar, cofundador e diretor de operações da VIPER.
“Mudamos a forma como os bombeiros ficavam sabendo das emergências”, diz Exequiel Gallardo, o outro sócio e CEO, que continua sendo bombeiro. “Os voluntários começaram a dormir com o rádio desligado e, de brincadeira, diziam que éramos o software que salvava casamentos.”
Esse software evoluiu para uma plataforma integral para bombeiros, que ajuda o operador a despachar veículos e voluntários em segundos e de forma eficiente. O serviço é pago por assinatura. “Este ano o crescimento foi explosivo e já estamos em 90 centrais no Chile”, diz Gallardo.
Salazar explica que, quando chega uma ligação ao 132, o operador reúne as informações fornecidas pela pessoa e, com esses dados, a VIPER indica na hora quais veículos despachar de acordo com a distância e o tipo de ocorrência. Também notifica os voluntários para que se dirijam à emergência.
“Mesmo que a pessoa não saiba bem onde é a emergência (por exemplo, quando alguém vê um acidente de trânsito na rodovia), o operador pode enviar um link pelo WhatsApp para que ela georreferencie o acidente, ou fazer uma videochamada para ver a dimensão da emergência”, diz Salazar.
Ao conhecer a natureza da ocorrência, o software sabe quantos veículos enviar e de que tipo, de acordo com um padrão preestabelecido. Além disso, conhece o perfil de cada bombeiro, a sua especialização (acidentes de veículos ou produtos químicos, por exemplo) e se ele está no quartel naquele momento.
“Se for preciso mandar a um prédio um veículo com escada mecânica, o problema é que nem todos os caminhões levam água. Então, se for um incêndio, também é preciso mandar caminhões com água. E se for um incêndio em uma casa em uma ocupação irregular, é preciso despachar um caminhão-pipa, porque não há água nesses lugares”, diz Salazar.
A plataforma tem diferentes aplicações: o VIPER ONE, que opera na central; o VIPER GO, instalado em um tablet dentro dos veículos de emergência; e o VIPER App, o aplicativo usado pelos voluntários.
O VIPER GO, por exemplo, “sugere uma rota para chegar mais rápido à ocorrência”, diz Salazar. Também é possível consultar informações no trajeto, como onde estão os hidrantes mais próximos.
Juan Sebastián Quevedo, comandante do Corpo de Bombeiros de Ñuñoa, conta que a plataforma “ajudou a melhorar a fluidez do despacho”. Entre as características que ele valoriza estão saber onde ficam os hidrantes e encontrar mais rapidamente o cruzamento exato quando se trata de um ponto de referência, como um shopping.
Gallardo conta que companhias de bombeiros como a de Puerto Montt passaram diretamente de processos manuais (em que o operador precisava procurar o local da ocorrência em um quadro com um mapa detalhado da cidade e depois verificar o quadrante correspondente para saber qual companhia deveria atender) para a VIPER. “Antes, ele também precisava lembrar qual serviço cada companhia tinha disponível (por exemplo, se tinha ou não um veículo para emergências químicas) e se estava atendendo uma emergência naquele momento.”
“Quando era preciso atender áreas rurais, pela sua complexidade, o despacho podia levar até três minutos”, esclarece Gallardo.
“Desde que implementamos a VIPER, nosso tempo de despacho caiu pela metade, melhorando o serviço prestado à população”, conta Daniel Hurtado, terceiro comandante dos Bombeiros de Puerto Montt.
O importante, diz Salazar, é que o processo de despacho é padronizado. “O sistema automatiza o que precisa ser feito, e já não se depende do critério do operador.”
Mais clareza
Jorge Medina, comandante do Corpo de Bombeiros de Iquique, diz que o software permitiu agir mais rápido nas cerca de 800 emergências que atendem por ano. “Dá mais clareza aos operadores, que sabem na hora o que deve ser despachado, por exemplo, se é um incêndio ou um resgate veicular. Isso nos ajudou a reduzir os tempos de resposta.”
O serviço também é oferecido a prefeituras, que o usam em segurança pública, e clínicas da zona leste da capital o utilizam nos seus serviços de resgate.
A VIPER já iniciou a sua internacionalização e é usada por bombeiros na Argentina e no Peru, além do Equador, onde está em teste. Este ano farão demonstrações no México e na Colômbia.
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